Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sonho. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, abril 19, 2012
A Filha do Sonho
"Às vezes, como nasceu Eva de uma costela de Adão, nascia uma mulher, durante meu sono, de uma falsa posição de minha coxa. Oriunda do prazer que eu estava a ponto de experimentar, imaginava que era ela que me oferecia. Meu corpo, que sentia no dela meu próprio calor, procurava juntar-se-lhe, e eu despertava. O resto dos humanos se me afigurava como coisa muito remota em comparação com aquela mulher que eu havia deixado momentos antes; minha face estava ainda quente de seu beijo e meus membros doloridos pelo peso de seu corpo. Se, como às vezes acontecia, apresentava os traços de alguma mulher a quem conhecera na vida, ia dedicar-me inteiramente a este fim: encontrá-la, tal como os que empreendem uma viagem para ver com os próprios olhos uma cidade desejada e imaginam que se pode gozar, em uma coisa real, o encanto da coisa sonhada. Pouco a pouco sua lembrança se dissipava, e eu esquecia a filha de meu sonho". PROUST, Marcel. No caminho de Swann. São Paulo: Ed. Globo, 2006, p. 22.
sexta-feira, abril 13, 2012
Sonhos, lugar incomum
"O território singular do sono e dos sonhos é o contrário do lugar (em) comum, o território noturno das quimeras incomunicáveis porque desafiam a razão e a linguagem comuns, o lugar do irracional tão perigosamente parecido com as fantásticas criações dos loucos, dos extravagentes e dos insensatos aos quais Descartes compara, na primeira de suas Meditações, as alucinações de seus sonhos".
GAGNEBIN, Jeanne Marie. "Entre sonho e vigília: quem sou eu?", posfácio de PROUST, Marcel. No caminho de Swann. São Paulo: Globo, 2006, p. 545-6.
terça-feira, abril 10, 2012
O Sonho de Heráclito
"Para os que estão em estado de vigília, há apenas um e mesmo mundo. No sono, cada um se volta para seu mundo privado".
Heráclito, Fragmento B89 da Edição Diels.
sexta-feira, junho 24, 2011
Prosseguir sonhando...
“Como é nova e maravilhosa e, ao mesmo tempo, horrível e irônica a posição que sinto ocupar, com o meu conhecimento diante de toda a existência! Eu descobri que a velha humanidade e animalidade, e mesmo toda a pré-história e o passado de todo ser que sente, continua inventando, amando, odiando, raciocinando em mim – no meio deste sonho acordei repentinamente, mas apenas para a consciência de que sonho e tenho de prosseguir sonhando, para não sucumbir: tal como o sonâmbulo tem de prosseguir o sonho para não cair por terra. O que é agora, para mim, aparência? Verdadeiramente, não é o oposto de alguma essência – que posso eu enunciar de qualquer essência, que não os predicados de sua aparência? Verdadeiramente, não é uma máscara mortuária que se pudesse aplicar a um desconhecido X e depois retirar! Aparência é, para mim, aquilo mesmo que atua e vive, que na zombaria de si mesmo chega ao ponto de me fazer sentir que tudo aqui é aparência e fogo-fátuo, dança de espíritos e nada mais – que, entre todos esses sonhadores, também eu, o ‘homem do conhecimento’, danço a minha dança, que o homem do conhecimento é um recurso para prolongar a dança terrestre e, assim, está entre os mestres-de-cerimônia da existência, e que a sublime coerência e ligação de todos os conhecimentos é e será, talvez, o meio supremo de manter a universalidade do sonho e a mútua compreensibilidade de todos esses sonhadores e, precisamente com isso, a duração do sonho”.
NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 92.
NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 92.
quinta-feira, abril 07, 2011
A vida é sonho, por Fernando Pessoa
"Nunca durmo: vivo e sonho, ou antes, sonho em vida e a dormir, que também é a vida. Não há interrupção em minha consciência: sinto o que me cerca se não durmo ainda, ou se não durmo bem; entro logo a sonhar desde que deveras durmo. Assim, o que sou é um perpétuo desenrolamento de imagens, conexas ou desconexas, fingindo sempre de exteriores, umas postas entre os homens e a luz, se estou desperto, outras postas entre os fantasmas e a sem-luz que se vê, se estou dormindo. Verdadeiramente, não sei como distinguir uma coisa da outra, nem ouso afirmar se não durmo quando estou desperto, se não estou a despertar quando durmo".
Fernando Pessoa. Livro do desassossego.
(São Paulo, Companhia de bolso, 2006, p. 323).
Fernando Pessoa. Livro do desassossego.
(São Paulo, Companhia de bolso, 2006, p. 323).
segunda-feira, abril 04, 2011
O universo é o sonho de si mesmo
"Estou quase convencido de que nunca estou desperto. Não sei se não sonho quando vivo, se não vivo quando sonho ou se o sonho e a vida não são em mim coisas mistas, interseccionadas, de que meu ser consciente se forme por interpenetração".
Fernando Pessoa. Livro do desassossego.
(São Paulo, Companhia de bolso, 2006, § 285, p. 280).
Fernando Pessoa. Livro do desassossego.
(São Paulo, Companhia de bolso, 2006, § 285, p. 280).
terça-feira, novembro 30, 2010
Aurélia, de Gérard de Nerval
"O sonho é uma segunda vida. Eu não pude transpor essas portas de cornucópia ou marfim que nos separam do mundo invisível sem deixar de estremecer. Os primeiros instantes do sono são a imagem da morte; um entorpecimento nebuloso apodera-se de nosso pensamento e não podemos determinar o instante preciso em que o Eu, sob uma outra forma, prossegue a obra da existência. Um vago subterrâneo ilumina-nos aos poucos, e da sombra e da noite desprendem-se as pálidas figuras gravemente imóveis que habitam a morada dos limbos. Depois o quadro se forma, uma nova claridade ilumina essas aparições extraordinárias, animando-as: o mundo dos Espíritos se abre para nós.
Swedenborg chamava tais visões de Memorabilia. Ele as atribuía com mais frequência ao devaneio do que ao sono; O asno de ouro de Apuleu, a Divina comédia de Dante, são os modelos poéticos desses estudos da alma humana. Tentarei, a exemplo deles, transcrever as impressões de uma longa doença ocorrida nos mistérios de meu espírito -- não sei por que me sirvo deste termo doença, pois jamais, no que me concerne, passei tão bem de saúde. Às vezes eu me sentia duplamente mais forte e ativo; parecia-me saber tudo, compreender tudo; a imaginação trazia-me delícias infinitas. Recobrando o que os homens chamam de razão, não deveria eu lamentar tê-las perdido?..."
Gérard de Nerval. Aurélia.
(São Paulo, Iluminuras, 1991, p. 35)
Swedenborg chamava tais visões de Memorabilia. Ele as atribuía com mais frequência ao devaneio do que ao sono; O asno de ouro de Apuleu, a Divina comédia de Dante, são os modelos poéticos desses estudos da alma humana. Tentarei, a exemplo deles, transcrever as impressões de uma longa doença ocorrida nos mistérios de meu espírito -- não sei por que me sirvo deste termo doença, pois jamais, no que me concerne, passei tão bem de saúde. Às vezes eu me sentia duplamente mais forte e ativo; parecia-me saber tudo, compreender tudo; a imaginação trazia-me delícias infinitas. Recobrando o que os homens chamam de razão, não deveria eu lamentar tê-las perdido?..."
Gérard de Nerval. Aurélia.
(São Paulo, Iluminuras, 1991, p. 35)
terça-feira, março 16, 2010
Sonhos hieroglíficos, sonhos divinos
Para Tânia

William Blake, O sonho de Jacó, c. 1800-3.
“Os sonhos do homem são de duas classes. Uns cheios de vida cotidiana e suas preocupações, seus desejos, seus vícios, combinam-se de uma maneira mais ou menos estranha com os objetos percebidos durante o dia que indiscretamente se fixaram sobre a vasta tela da memória. Eis o sonho natural; é o próprio homem. Mas e a outra espécie de sonho? O sonho absurdo, imprevisto, sem relação nem conexão com o caráter, a vida e as paixões do adormecido? Este sonho que chamarei de hieroglífico, representa evidentemente o lado sobrenatural da vida, e é justamente por ser absurdo que os antigos julgavam-no divino”.
Charles Baudelaire. Paraísos artificiais. Porto Alegre: L&PM, 1998.

William Blake, O sonho de Jacó, c. 1800-3.
“Os sonhos do homem são de duas classes. Uns cheios de vida cotidiana e suas preocupações, seus desejos, seus vícios, combinam-se de uma maneira mais ou menos estranha com os objetos percebidos durante o dia que indiscretamente se fixaram sobre a vasta tela da memória. Eis o sonho natural; é o próprio homem. Mas e a outra espécie de sonho? O sonho absurdo, imprevisto, sem relação nem conexão com o caráter, a vida e as paixões do adormecido? Este sonho que chamarei de hieroglífico, representa evidentemente o lado sobrenatural da vida, e é justamente por ser absurdo que os antigos julgavam-no divino”.
Charles Baudelaire. Paraísos artificiais. Porto Alegre: L&PM, 1998.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Sonho como Criação Dramática
Se o fato de sonhar fosse uma espécie de criação dramática, então aconteceria que o sonho é o mais antigo dos gêneros literários, inclusive anterior à humanidade, porque, como lembra um poeta latino, os animais também sonham. E viria a ser um fato de índole dramática, como uma peça na qual somos o autor, o ator, e também o edifício, o teatro. Ou seja, à noite, todos somos, de alguma maneira, dramaturgos.
Jorge Luis Borges e Osvaldo Ferrari. Sobre os sonhos e outros diálogos. São Paulo, Hedra, 2009.
Jorge Luis Borges e Osvaldo Ferrari. Sobre os sonhos e outros diálogos. São Paulo, Hedra, 2009.
terça-feira, junho 16, 2009
O sonho como porta-voz das mensagens divinas

Giotto de Bondone, Cena da vida de Joaquim: o sonho de Joaquim, 1304-06.

Giotto de Bondone, A lenda de São Francisco: o sonho do palácio (detalhe), 1297-99.

Rogier van der Weyden, O sonho do papa Sergius, 1437-40.

Piero della Francesca, O sonho de Constantino, 1455.

Vittore Carpaccio, O sonho de Santa Úrsula, 1495.

Antônio de Pareda, O sonho do cavaleiro, s/d.

Rembrandt, O sonho de José, 1645.

Georges de la Tour, O sonho de São José, 1640.

Luca Giordano, O sonho de Salomão, 1693.

Adam Elsheimer, O sonho de Jacó, s/d.

Giovanni Batista Tiepolo, O sonho de Jacó, 1726-29.
segunda-feira, junho 15, 2009
Bilder Träume { Sonhos em Imagens }
terça-feira, junho 09, 2009
O sonho de José Saramago
Um sonho
by José Saramago
Nunca vi a pessoa em questão, nunca lhe falei, não tem nem teve jamais lugar no círculo dos meus interesses, quer imediatos quer distantes, e para que tudo fique dito em meia dúzia de palavras, considerando os anos que no passado levei ouvindo ou lendo este nome, nem sequer sei se está vivo. Refiro-me a um editor português, Domingos Barreira, que na noite passada veio visitar-me no meu sono. Aliás, não cheguei a vê-lo e, se o visse, não saberia que cara lhe haveria de pôr. O que ele fez foi enviar-me uma secretária com o recado de que gostaria de encontrar-se comigo para conversarmos sobre coisas passadas. Que coisas passadas fossem elas, ainda estou para sabê-lo, porque, apesar do encontro ter ficado aprazado para o próximo fim-de-semana, não se falou de local. E, como se isso fosse pouco, acordei, e, quando acordei, a secretária não estava ali.

Jean Auguste Dominique Ingres, O sonho de Ossian, 1813.
Agora, que venham os doutores da academia explicar-me este sonho sem causa aparente nem motivo que se perceba. Salvo se se quiser aceitar uma ideia minha, antes lhe chamaria convicção, a de que a doença que há um ano e tal esteve a ponto de levar-me deu uma volta à minha cabeça, desarrumando as memórias e voltando a arrumá-las por outra ordem e poderá ter sido, também ela, a responsável por este insólito sonho. Infelizmente, ficará sem resposta a pergunta: “Porquê?” Paciência, não se pode ter tudo e os doutores da academia têm com certeza mais que fazer que ler esta página.
Para ter acesso ao blog de José Saramago, onde este texto foi publicado em 20/05/2009, clique no título deste post.
by José Saramago
Nunca vi a pessoa em questão, nunca lhe falei, não tem nem teve jamais lugar no círculo dos meus interesses, quer imediatos quer distantes, e para que tudo fique dito em meia dúzia de palavras, considerando os anos que no passado levei ouvindo ou lendo este nome, nem sequer sei se está vivo. Refiro-me a um editor português, Domingos Barreira, que na noite passada veio visitar-me no meu sono. Aliás, não cheguei a vê-lo e, se o visse, não saberia que cara lhe haveria de pôr. O que ele fez foi enviar-me uma secretária com o recado de que gostaria de encontrar-se comigo para conversarmos sobre coisas passadas. Que coisas passadas fossem elas, ainda estou para sabê-lo, porque, apesar do encontro ter ficado aprazado para o próximo fim-de-semana, não se falou de local. E, como se isso fosse pouco, acordei, e, quando acordei, a secretária não estava ali.

Jean Auguste Dominique Ingres, O sonho de Ossian, 1813.
Agora, que venham os doutores da academia explicar-me este sonho sem causa aparente nem motivo que se perceba. Salvo se se quiser aceitar uma ideia minha, antes lhe chamaria convicção, a de que a doença que há um ano e tal esteve a ponto de levar-me deu uma volta à minha cabeça, desarrumando as memórias e voltando a arrumá-las por outra ordem e poderá ter sido, também ela, a responsável por este insólito sonho. Infelizmente, ficará sem resposta a pergunta: “Porquê?” Paciência, não se pode ter tudo e os doutores da academia têm com certeza mais que fazer que ler esta página.
Para ter acesso ao blog de José Saramago, onde este texto foi publicado em 20/05/2009, clique no título deste post.
quinta-feira, maio 21, 2009
O sonho de Heinrich von Ofterdingen

Henri Rousseau, O cigano adormecido, 1897.
"Tenho a impressão de que o sonho é uma proteção contra a regularidade e a banalidade da vida, uma livre recriação da fantasia onde todas as imagens são embaralhadas e a contínua seriedade dos adultos é rompida através de um alegre jogo infantil. Sem os sonhos nós envelheceríamos mais cedo e, por isso, mesmo que não venham diretamente do alto, pode-se considerá-los uma dádiva divina."
NOVALIS. Heinrich von Ofterdingen. München: Deutschen Taschenbuch, 2004, pp. 16-17.
terça-feira, fevereiro 10, 2009
A vida humana é apenas um sonho...

John Henry Fuseli, O sonho do pastor, 1795.
"Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim esta idéia persegue por toda parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas -- tudo isso, Guilherme, me deixa mudo. Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo."
Johann Wolfgang Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther. Porto Alegre: L&PM, 2008, pp. 23-24.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Als das Kind Kind war...

Cena do filme Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin), 1987.
Lied Vom Kindsein
"Als das Kind Kind war,
war es die Zeit der folgenden Fragen:
Warum bin ich ich und warum nicht du?
Warum bin ich hier und warum nicht dort?
Wann begann die Zeit und wo endet der Raum?
Ist das Leben unter der Sonne nicht bloß ein Traum?
Ist was ich sehe und höre und rieche
nicht bloß der Schein einer Welt vor der Welt?
Gibt es tatsächlich das Böse und Leute,
die wirklich die Bösen sind?
Wie kann es sein, daß ich, der ich bin,
bevor ich wurde, nicht war,
und daß einmal ich, der ich bin,
nicht mehr der ich bin, sein werde?"
"Quando a criança era criança,
era tempo destas perguntas:
Por que eu sou eu e não você?
Por que estou aqui e não lá?
Quando começou o tempo e onde termina o espaço?
Será que a vida sob o sol nada mais é que um sonho?
Será que o que vejo, escuto e cheiro não é apenas
uma miragem do mundo anterior ao mundo?
Será que realmente existe o Mal e pessoas malvadas?
Como é possível?
Eu, que sou eu, não existia antes de existir.
E, no futuro, eu, que sou eu,
não serei mais quem eu sou."
Lied Vom Kindsein, Peter Handke
in: Wim Wenders, Asas do Desejo
(Der Himmel über Berlin), 1987.
terça-feira, dezembro 16, 2008
A Constelação do Sonho em BH
segunda-feira, abril 07, 2008
Um animal sonhado por Kafka

Henri Rousseau, O sonho, 1910, óleo sobre tela 6' 8 1/2" x 9' 9 1/2", The Museum of Modern Art, New York.
É um animal com grande cauda, de muitos metros de comprimento, parecida com a da raposa. Por vezes eu gostaria de segurar sua cauda, mas é impossível; o animal está sempre em movimento, a cauda sempre de um lado para outro. O animal tem algo de canguru, mas a cabeça pequena e oval não é característica e tem alguma coisa de humana; só os dentes têm força expressiva, quer os esconda ou mostre. Costumo ter a impressão de que o animal quer me amestrar; senão que propósito pode ter ao retirar-me a cauda quando quero agarrá-la, e depois esperar tranqüilamente que ela volte a atrair-me, para logo tornar a saltar?
Franz Kafka
Jorge Luís Borges, O livro dos seres imaginários, São Paulo, Globo, 2000, p. 28.
terça-feira, janeiro 29, 2008
A seqüência do sonho, em Spellbound
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Sonhos
quarta-feira, novembro 01, 2006
Assinar:
Postagens (Atom)















