Sexta-feira, Novembro 06, 2009

O Grito Expressionista


Edvard Munch, O grito, 1893.

"O homem grita das profundezas de sua alma, a época toda se transforma num grito isolado, perfurante. A arte também grita, dentro da profunda escuridão, grita por socorro, grita pelo espírito. Isso é expressionismo."

Hermann Bahn, Expressionismus (1914-1916), in: R. S. Furness. Expressionismo. São Paulo: Perspectiva, 1990.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Corpo em Evidência


Rembrandt, Aula de anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, 1632.

por Alexia Bretas

Há alguns anos a exposição “Corpo Humano: Real e Fascinante” gerou curiosidade e polêmica no Brasil ao apresentar uma série de corpos humanos dissecados, polimerizados e exibidos como “obra de arte.” Além do impressionante aspecto estético das “peças” expostas, os organizadores do evento exaltavam seu caráter científico e até educativo. Afinal, do ponto de vista fisiológico, a mostra era equivalente a uma verdadeira aula de anatomia.

Em todo caso, a controvérsia que se instaurou em torno da exposição dizia respeito às questões éticas envolvidas na obtenção e tratamento dos corpos – provenientes da China –, bem como na suposta introdução de drogas e substâncias químicas antes mesmo de consumada a morte do indivíduo – o que representaria uma grave afronta aos direitos humanos.

Ora, este exemplo singular nos convida a traçar uma breve história do corpo, desde os antigos gregos até os dias atuais, refletindo sobre a relação entre o físico e a consciência à luz de fenômenos recentes como, por exemplo, o da stripper Dita von Teese, tema da matéria da VEJA.

Atividades

A tradição ocidental quase sempre procurou explicar o ser humano como composto de duas partes fundamentalmente distintas e separadas: o corpo (material) e a alma (espiritual e consciente). Platão (séc. V a.C.), por exemplo, é um dos maiores defensores desta realidade dupla, e ensina que, quando a alma se une ao corpo, ela se degrada, por tornar-se prisioneira dele. Assim, sua teoria das ideias proclama o abandono do efêmero mundo sensível em prol do eterno, imutável e perfeito mundo inteligível.

Para ilustrar o que foi dito, discuta com a moçada o sentido popular da expressão “amor platônico” – um sentimento puro, elevado e idealizado, porém, fadado a não se concretizar jamais, pois se dirige a alguém inatingível ou mesmo impossível. Mostre que o senso comum se aproxima de um dos pontos mais decisivos para a sustentação do dualismo corpo-alma, também por parte dos pensadores cristãos: a crença na superioridade do espírito sobre as emoções e apetites da carne.

Não é, pois, acidental que esta convicção secular venha a adquirir o status de dogma pelo menos até o fim da idade média, sendo em grande medida adotada por filósofos religiosos como Santo Agostinho, entre outros. Partindo do princípio de que o corpo é a sede do pecado original – e, portanto, a fonte de toda a corrupção do homem –, seus desejos e prazeres devem ser firmemente repudiados, através de práticas ascéticas como o jejum, a abstinência e o auto-controle.

Entretanto, com o advento da era moderna (séc. XVI), tem início o movimento em direção à irreversível dessacralização do corpo. A partir de então, o mesmo não é mais encarado como motivo de culpa, vergonha e expiação, mas, ao contrário, como alvo de admiração, cuidado e estudo.

Finalmente emancipada da religião, a ciência leva a cabo seus primeiros experimentos de dissecção – os quais, se por um lado, trazem benefícios incalculáveis para o avanço da medicina, por outro, contribuem para que o corpo seja considerado em sua natureza física e biológica, exclusivamente. Tanto que resulta desta época a imagem utilitarista e mecanicista do ser humano como “máquina” – concepção, aliás, bastante controversa, exemplarmente ilustrada pela obra de Mary Shelley “Frankenstein.”

Seja como for, é somente com a fenomenologia (séc. XIX e XX) que a dicotomia corpo-espírito começa a ser rompida, através da noção de facticidade. Isso quer dizer que o corpo não é mais nem entrave ao conhecimento, nem instrumento do mal, nem simples material à disposição, mas integra a totalidade do ser humano, como “ser-no-mundo.” Ao estabelecer contato com outra pessoa, eu me revelo pelas manifestações corporais: gestos, olhares, atitudes etc. Por isso, o corpo é o primeiro momento da experiência humana, através do qual percebemos e somos percebidos como um “ser que vive e sente.”

A despeito de ser nossa interface com o mundo, o corpo tem sido tratado apenas como mais uma mercadoria. E muito valorizada, por sinal. Em consequência, a indústria do sexo é uma das que mais se beneficiam desta nova realidade. Não é à toa que personalidades como Paris Hilton, Bruna Surfistinha e Dita von Teese fazem tanto sucesso. “Coloco minha alma, meu coração e 100.000 dólares na produção de cada performance,” esta última confidencia. O que mostra que até em um striptease, um corpo não é só um corpo.

Avaliação

Recapitule rapidamente as quatro importantes concepções de corpo ao longo da história: 1) como obstáculo ao conhecimento, 2) como relicário da alma, 3) como máquina e 4) como facticidade. Em seguida, peça a turma que se organize em grupos, e elabore um trabalho em que escolha e relacione uma das concepções acima com as teorias, respectivamente, de um destes filósofos: Platão, Santo Agostinho, Descartes ou Merleau-Ponty.

Plano de aula publicado on-line com o título de "O sagrado e o profano," em Veja na Sala de Aula de 26/10/2009. Para ter acesso ao site, clique no título deste post.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Se não for Staroup, proteste!


W/Brasil, Passeata, Leão de Ouro, Cannes 1988.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Frederico, O grande, por Andy Warhol, c. 1986


Andy Warhol, Friedrich II, c. 1986, Schloss Sanssouci, Potsdam.

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Riesen in Berlin, 2009


Riesen, Berlin, 3. Oktober 2009.

Para saber mais sobre o evento, clique no título deste post.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

John Everett Millais, Ophelia, 1852


John Everett Millais, Ophelia, 1852, Tate Gallery, London.

Domingo, Setembro 20, 2009

Henry Fuseli, Brunhilde,1807


Johann Heinrich Füssli, Brunhilde olhando Gunther, 1807.