terça-feira, abril 07, 2009

Figuras Míticas de Odilon Redon


Odilon Redon, Beatriz, 1885.


Odilon Redon, São João, 1892.


Odilon Redon, Orfeu, 1898.


Odilon Redon, Orfeu, 1900.


Odilon Redon, O Buda, 1905.


Odilon Redon, Ofélia entre as flores, 1905-08.


Odilon Redon, A queda de Faetonte, 1910.


Odilon Redon, A esfinge vermelha, 1912.


Odilon Redon, O ciclope, 1914.


Odilon Redon, Parsifal, 1914.

Da eternidade da alma humana


Odilon Redon, Evocação das borboletas, 1910-12.

"Todos os anos são meus," diz a alma humana, "não existe época proibida aos grandes espíritos; não há idade inalcançável ao pensamento. Quando surgir o dia em que se dividirá o que é humano e divino, este corpo ficará ali mesmo onde foi encontrado e me reunirei aos deuses. Mesmo agora não estou longe deles; apenas ainda sou detida pela existência terrestre."

Tais esperas da vida mortal são apenas um prelúdio para uma outra existência, melhor e mais durável. Da mesma forma como durante nove meses somos abrigados e preparados pelo ventre materno não para si, mas para onde deve nos lançar quando já somos capazes de respirar e viver ao ar livre, assim, durante esse período que vai da infância à velhice, amadurecemos para um outro nascimento.

Um outro nascimento nos aguarda, uma outra ordem das coisas. Ainda não podemos suportar o céu senão de longe, por isso prevê com coragem a hora decisiva não para a alma, mas para o corpo. A tudo que te rodeia, olha como móveis em um quarto de hospedaria, pois estás de passagem. A natureza despoja tanto quem entra quanto quem sai.

Não te é permitido levar mais do que tens, e até o que trouxeste para a vida ao nascer aqui deverá ser deixado. Perderás a pele, o mais superficial de teus envoltórios; perderás os ossos e os nervos, aquilo que sustenta as partes informes e flácidas de teu corpo.(...) Por que te apegas tanto a estas coisas como se tuas fossem? Apenas estás coberto por elas. Dia virá em que elas serão tiradas e, então, estarás liberto desse ventre repugnante e infecto."

SÊNECA. Aprendendo a viver. Porto Alegre, L&PM, 2009, pp. 119-121.

segunda-feira, abril 06, 2009

Aprendendo a viver com Sêneca


Detalhe de cena do filme O curioso caso de Benjamin Button (2008), dirigido por David Fincher e baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald (1921).

Reivindica o teu direito sobre ti mesmo e o tempo que até hoje foi levado embora, foi roubado ou fugiu, recolhe e aproveita este tempo.


Convence-te de que é assim como te escrevo: certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento. Mas a coisa mais lamentável é perder tempo por negligência. Se pensares bem, passamos grande parte da vida agindo mal, a maior parte sem fazer nada, ou fazendo algo diferente do que se deveria fazer.

Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.

Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso. A natureza deu-nos posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez dos mortais que, por coisas insignificantes e desprezíveis, as quais certamente se podem recuperar, concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando, na verdade, ele é único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolver esse tempo de quem tirou.

SÊNECA. "Da economia do tempo", in: Aprendendo a viver. Porto Alegre: L&PM, 2009, pp. 15-16.

sábado, março 28, 2009

Metropolis, Fritz Lang, 1927
































Epigrama:
O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!
[The mediator between head and hands must be the heart!]

Cenas do filme METROPOLIS. Direção: Fritz Lang, 1927. Continental Filmes, São Paulo, DVD, P&B, 124 min.

quinta-feira, março 26, 2009

sexta-feira, março 20, 2009

Fausto, J. W. Murnau, 1926






"Para trás! Em guarda! Por que afliges a humanidade com a Guerra, a Peste e a Fome?"




"A terra é minha!"




"A terra nunca será tua: o homem pertence a Deus."


"Olhe para baixo!"




"Todas as coisas no céu e na terra são maravilhosas. Mas a maior maravilha é a liberdade do homem para escolher entre o bem e o mal."








"Um desafio: eu arrancarei a alma de Fausto para longe de Deus!"






"Se puderes destruir o que há de divino em Fausto, a terra será tua!"




"Nenhum homem pode resistir ao mal! A aposta está feita!"

Cenas de FAUSTO. Dir.: J. W. Murnau, 1926. Coleção Expressionismo Alemão, Vol. 5, DVD, Continental, São Paulo.

quinta-feira, março 12, 2009

Festa do Livro da USP / Cosac Naify

Entre a arte e a vida, por Thomas Mann


Edvard Munch, Melancolia, 1894-95.

"Nós, os solitários," escrevera certa vez numa hora quieta de comunhão consigo mesmo, "nós, sonhadores isolados, deserdados pela vida, que gastamos nossos dias de introspecção perdidos num ar gélido e artificial, espalhando um sopro frio como que proveniente de regiões estranhas, sempre que estamos entre seres humanos vivos que veem nossas frontes marcadas com o sinal da sabedoria e do medo; nós, pobres fantasmas da vida, que somos recebidos com um olhar embaçado, e logo que possível deixados a sós, para que nosso olho vazio e perquiridor não sombreie a alegria... Todos nós acalentamos uma oculta e insaciável nostalgia das coisas inocentes, simples e reais da vida; um pouquinho de felicidade amável, devotada, humana e familiar. Aquela 'vida' da qual estamos apartados -- não a encaramos como uma beleza selvagem e um esplendor cruel, não é pelo extraordinário que possa conter que ansiamos por ela, nós, que somos os extraordinários. O reino do nosso nostálgico amor é o reino das coisas normais, agradáveis e respeitáveis, é a vida com tudo o que tem de tentador e banal; é isso que queremos..."

MANN, Thomas. Os famintos e outras historias. Trad: Lya Luft. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000, p. 154.

segunda-feira, março 09, 2009

We can do it !


Comumente associado a Rosie the Riveter, o poster "We can do it!" foi criado por J. Howard Miller em 1942 para a Westinghouse. A partir dos anos 70, a imagem se tornaria um ícone das conquistas feministas especialmente na área do trabalho.

quarta-feira, março 04, 2009

O espelho como utopia e heterotopia


René Magritte, Ligações perigosas, 1926.

"Acredito que entre as utopias e estes posicionamentos absolutamente outros, as heterotopias, haveria, sem dúvida, uma espécie de experiência mista, mediana, que seria o espelho. O espelho, afinal, é uma utopia, pois é um lugar sem lugar. No espelho, eu me vejo lá onde não estou, em um espaço irreal que se abre virtualmente atrás da superfície, eu estou lá longe, lá onde não estou, uma espécie de sombra que me dá a mim mesmo minha própria visibilidade, que me permite me olhar lá onde estou ausente: utopia do espelho. Mas é igualmente uma heterotopia, na medida em que o espelho existe realmente, e que tem, no lugar que ocupo, uma espécie de efeito retroativo; é a partir do espelho que me descubro ausente no lugar em que estou porque eu me vejo lá longe. A partir desse olhar que de qualquer forma se dirige para mim, do fundo desse espaço virtual que está do outro lado do espelho, eu retorno a mim mesmo e a me constituir ali onde estou; o espelho funciona como uma heterotopia no sentido que ele torna esse lugar que ocupo, no momento em que me olho no espelho, ao mesmo tempo absolutamente real, em relação com todo o espaço que o envolve, e absolutamente irreal, já que ela é obrigada, para ser percebida, a passar por aquele ponto virtual que está lá longe."

FOUCAULT, Michel. "Outros espaços", in: Ditos e escritos III - Estética: Literatura e pintura, música e cinema. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003, p. 415.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

A vida humana é apenas um sonho...


John Henry Fuseli, O sonho do pastor, 1795.

"Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim esta idéia persegue por toda parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas -- tudo isso, Guilherme, me deixa mudo. Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo."

Johann Wolfgang Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther. Porto Alegre: L&PM, 2008, pp. 23-24.