quinta-feira, maio 29, 2008

As Visões de William Shakespeare


Retrato de William Shakespeare



Henry Fuseli. Horatio, Marcellus e a cabeça do pai de Hamlet, 1780-5.



Henry Fuseli. Macbeth consultando a visão da cabeça armada, 1793–94.



John Everett Millais. Ofélia (detalhe), 1851–2.



William Blake. Oberon, Titânia e Puck dançando com as fadas, 1786



William Blake. Piedade, 1795.



Sir John Gilbert. The Plays of William Shakespeare, 1849.

terça-feira, maio 27, 2008

Ensaio sobre a cegueira, por José Saramago


Pieter Bruegel (O velho), O cego guiando o cego, 1568.

"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueria era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás de seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis."
SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, pp. 15-16.

quinta-feira, maio 22, 2008

Arzak Rhapsody, por Jean Giraud (Moëbius)


























Cenas da série animada "Arzak Rhapsody" (2002), escrita, desenhada e realizada pelo mestre dos quadrinhos franceses Jean Giraud (pseudônimo Moëbius).

segunda-feira, maio 19, 2008

A Queda dos Anjos Rebeldes, por Pieter Brueghel


Pieter Brueghel (O velho), A Queda dos Anjos Rebeldes, 1562.

terça-feira, maio 06, 2008

Partilha do Sensível, por Rancière


Juno Ludovisi, Mármore, obra romana do I século d.C.

"A estátua traz uma promessa política porque ela é expressão de uma partilha do sensível específica. Mas esta partilha pode ser entendida de duas maneiras opostas: de um lado, a estátua é promessa de comunidade pois é arte, é objeto de uma experiência específica, e institui assim um espaço comum, separado. De outro, ela é promessa de comunidade porque não é mais arte, uma vez que exprime somente uma maneira de habitar um espaço comum, um modo de vida que não conhece separação entre esferas de experiência específicas. A educação estética é então o processo que transforma a solidão da 'livre aparência' em realidade verdadeira e converte a 'ociosidade' estética em agir da comunidade vivente."
Jacques Rancière, Malaise dans l'esthétique, Galilée, 2004, p. 52.

As meninas de Velásquez, por Michel Foucault


Diego Velásquez, Las Meninas, 1656.

"Talvez haja, neste quadro de Velásquez, como que a representação da representação clássica e a definição do espaço que ela abre. Com efeito, ela intenta representar-se a si mesma em todos os seus elementos, com suas imagens, os olhares nos quais ela se oferece, os rostos que torna visíveis, os gestos que a fazem nascer. Mas aí, nessa dispersão que ela reúne e exibe em conjunto, por todas as partes um vazio essencial é imperiosamente indicado: o desparecimento necessário daquilo que a funda -- daquele a quem ela se assemelha e daquele a cujos olhos ela não passa de semelhança. Esse sujeito mesmo -- que é o mesmo -- foi elidido. E livre, enfim, dessa relação que a acorrentava, a representação pode se dar como pura representação."
Michel Foucault, As palavras e as coisas, Martins Fontes, 2002, pp. 20-21.

quarta-feira, abril 30, 2008

Pandora


Nicolas Régnier, Alegoria das Vanitas, 1626.



Jules Joseph Lefebvre, Pandora, 1882



John William Waterhouse, Pandora, 1896



Louise Brooks em cena do filme "A caixa de Pandora," de G. W. Pabst, 1929.

segunda-feira, abril 28, 2008

Inestética, por Alain Badiou

"Por 'inestética' entendo uma relação entre filosofia e arte que, mantendo que a arte é em si mesma produtora de verdades, não pretende convertê-la em objeto para a filosofia. Contra a especulação estética, a inestética descreve os efeitos estritamente intrafilosóficos produzidos pela existência independente de algumas obras de arte."

Alain Badiou, Petit manuel d'inesthetique, Editions du Seuil, 1998.


Cildo Meireles, Zero Dollar, offset litogravura sobre papel, 6,5x15,5, 1974/1984.

quinta-feira, abril 24, 2008

Torre de Marfim?

"A filosofia muda o mundo ao manter-se como teoria." Theodor W. Adorno, 1969.

Spiegel: Ciência como torre de marfim, portanto?
Adorno: Não tenho temor algum da expressão torre de marfim. Essa expressão já teve dias melhores, quando Baudelaire a empregou. Contudo, já que o senhor fala de torre de marfim: creio que uma teoria é muito mais capaz de ter conseqüências práticas em virtude da sua própria objetividade do que quando se submete de antemão à prática. O relacionamento infeliz entre teoria e prática consiste hoje precisamente em que a teoria se vê submetida a uma pré-censura prática.
(...)
Spiegel: Seja como for, ocorre que os estudantes referem-se, às vezes direta e outras vezes indiretamente, à sua crítica da sociedade. Sem as suas teorias talvez nem tivesse surgido o movimento estudantil.
Adorno: Isso eu não quero negar; apesar disso, tenho dificuldade para captar essa relação. Estou disposto a acreditar que a crítica à manipulação da opinião pública, que vejo como inteiramente legítima também na forma de demonstrações, não teria sido possível sem o capítulo sobre "indústria cultural" que Horkheimer e eu publicamos na Dialética do Esclarecimento. Mas acredito que muitas vezes a relação entre teoria e prática é representada de modo demasiado sumário.
(...)
Spiegel: O Senhor continua a ver como a forma mais significativa e necessária da sua atividade na República Federal Alemã fazer progredir a análise das condições da sociedade?
Adorno: Sim, e mergulhar em fenônemos singulares muito determinados. Não me envergonho de tornar público que estou trabalhando em um grande livro de estética.

Theodor Adorno, Entrevista de Adorno, Revista Lua Nova 60, São Paulo, 2003, pp. 131-138.

Imagem: Mosaico moderno com um dos símbolos de Maria: a torre de marfim. Museu do Anjo da Guarda, Detroit, EUA.

segunda-feira, abril 21, 2008

Persepolis, de Marjane Satrapi

Produção francesa vencedora do prêmio do júri em Cannes, o filme "Persepolis" (2007) é uma espécie de autobiografia estético-política da ilustradora e artista gráfica iraniana Marjane Satrapi. Em uma palavra: imperdível.














































quinta-feira, abril 17, 2008

Arcanos estéticos -- os crop circles



Os "crop circles," como ficaram conhecidos em todo o mundo, são figuras de aspecto geométrico e origem desconhecida, que aparecem ocasionalmente nos campos de plantação ingleses (mas não exclusivamente), despertando o interesse de cientistas, místicos e agnósticos.

Há quem aponte nestas intrigantes constelações pictóricas notáveis semelhanças com os fractais de Mandelbrot, com os arquétipos junguianos ou até mesmo com os calendários maia.

Controvérsias à parte, há em todo caso uma constatação sobre a qual não paira qualquer sombra de dúvida: a rara beleza de sua exuberante configuração estética.

terça-feira, abril 15, 2008

O Don Juan de Foucault


Cena da morte de Don Juan no filme "O olho do diabo," de Ingmar Bergman, 1960

Sob o grande infrator das regras da aliança -- ladrão de mulheres, sedutor de virgens, vergonha das famílias e insulto aos maridos e aos pais -- esconde-se uma outra personagem: aquele que é transpassado, independentemente de si mesmo, pela tenebrosa folia do sexo. Sob o libertino, o perverso. Deliberadamente, fere a lei, ao mesmo tempo algo como uma natureza desviada arrebata-o para longe de qualquer natureza; sua morte é o momento em que o retorno sobrenatural da ofensa e da vindita entrecruzam-se com a fuga para o antinatural. Esses dois grandes sistemas de regras que o Ocidente, alternadamente, concebeu para reger o sexo -- a lei da aliança e a ordem dos desejos --, a existência de Don Juan, surgindo de sua fronteira comum, derruba-os conjuntamente. Deixemos os psicanalistas se interrogarem para saber se ele era homossexual, narcisista ou impotente.

Michel Foucault, A história da sexualidade: I A vontade de saber, Ed. Graal, 2007, pp. 46-47.

segunda-feira, abril 07, 2008

Um animal sonhado por Kafka


Henri Rousseau, O sonho, 1910, óleo sobre tela 6' 8 1/2" x 9' 9 1/2", The Museum of Modern Art, New York.

É um animal com grande cauda, de muitos metros de comprimento, parecida com a da raposa. Por vezes eu gostaria de segurar sua cauda, mas é impossível; o animal está sempre em movimento, a cauda sempre de um lado para outro. O animal tem algo de canguru, mas a cabeça pequena e oval não é característica e tem alguma coisa de humana; só os dentes têm força expressiva, quer os esconda ou mostre. Costumo ter a impressão de que o animal quer me amestrar; senão que propósito pode ter ao retirar-me a cauda quando quero agarrá-la, e depois esperar tranqüilamente que ela volte a atrair-me, para logo tornar a saltar?

Franz Kafka

Jorge Luís Borges, O livro dos seres imaginários, São Paulo, Globo, 2000, p. 28.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Street Art, São Paulo, 2008























Vila Madalena, São Paulo, SP, Brasil

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